sábado, 18 de dezembro de 2010

Do precisar

A gente não precisa de nada
Só quer.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Da facilidade

Fácil para quem pensa
- o novo poema -
que alimenta a mente dos leitores insensatos.

Vende-se

Vende-se um portarretrato com imagem irreal.

Da verdade

Difícil não é ver
Mas sim, acreditar.

sábado, 20 de novembro de 2010

Daquilo

Nada mais que pouco
Para fazer muito,
E descobrir o outro.
Outro lado
Desconhecido
Ou redescoberto.
Sombrio.
Sem medo,
Sentir
Sem pressa.
E, aos poucos,
Descobrir
O que resta.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Do ir

Ali, na esquina.

Vira! Não espia!

Vai...

No máximo, o mínimo.

Do eu

Sou a música incompreendida
Sou a luz da rua, que ilumina
Sou o sol que, às vezes, brilha

Sou o furacão que destroi
Eu sou o medo que corroi

Sou a brasa que queima
Sou a criança que teima

Sou só, sou eu
Eu, só, sou

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dos quarteirões

Ali, bem ali onde dobrei a esquina
Deixei algumas lembranças
e algumas fantasias
somente para depois encontrá-las
quando eu retornar pelo mesmo caminho.

sábado, 18 de setembro de 2010

Do caminho

Virei a esquina
Na mais cálida escuridão
Não tive medo nem insegurança
Vi apenas um caminho
O qual percorri de olhos fechados
A mente guiando-me em silêncio
E meus pés seguiram.
Até agora permaneço neste caminho
Mas não quero ainda abrir meus olhos
Deixarei-os fechados
E verei aonde vou chegar.

sábado, 28 de agosto de 2010

Do paraíso

Parei
Pensei
Fiquei.
Padeci...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Só por hoje

-Quem é?
-Sou eu.
-Não posso abrir.
-Eu sei.
-Então, por que veio?
-Pensei que gostaria de me ver.
-Eu gostava. Já não sei mais. Passou muito tempo.
-Eu só quero conversar.
-É. Acho que devemos conversar. Conversar.
-Eu não vou lhe procurar. Vou continuar lhe esperando.
...
-Que bom ouvir sua voz.
-Podemos conversar amanhã?
-Claro. Estarei aí. Sonhei com você noite passada. Prometi que não diria mais isso, mas é verdade.
...
-Senti sua falta.
-Eu também.
-Por que não? Somente um beijo...
-Pra quê? Acho que não devemos. Relembrar o que está quase esquecido? Vamos deixar como está.
-Tudo bem. Se é a sua vontade.
-Não é de vontade que eu estou falando. É simplesmente a realidade. Só por hoje, não mais...

Da reflexão

Duvido do que não vi
Desconheço o que não senti.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Talvez amanhã

Eu sei que a pressa é inimiga da perfeição. Mas como fazer com calma se não há tempo? Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é incoerente. Mas há algo pior do que isso: talvez amanhã. Ou seja, não fará hoje, talvez amanhã, ou depois. Deixar para falar, deixar para fazer, deixar acontecer. É quase um castigo. Para uma pessoa pode ser preguiça ou excesso de tempo. No entanto, quando seus atos interferem na vida de outra, um minuto é uma eternidade. Resta apenas mentiras ao vento, promessas incumpridas e um coração despedaçado.
Até hoje não aprendi que promessas com data e hora, se não realizadas, tornam-se palavras sem valor. Afirmo com todas as letras; não obstante, continuo a esperar. E por quê? Talvez por ingenuidade, talvez por ter esperança. Ou simplesmente por acreditar nas pessoas. Sou contraditória, não tenho paciência, mas espero.
Somente o que é dito com clareza sou capaz de compreender. Metáforas, palavras nas entrelinhas, adivinhações, tudo isso tem valor, são cheias de interpretações. Porém, atitudes contraditórias e inverdades confundem.
Estou tentando decifrar todos os códigos que me rodeiam. Difícil é encontrar as respostas para tantas perguntas. Se não hoje, talvez amanhã.

Da simplicidade

Chegou num cavalo branco
Prometeu amor eterno
Vida perfeita em um castelo.
Pensou que era sonho?
Não, foi pesadelo.
Não sabia beijar.
Péssimo amante.
Por isso beijo sapos
Ou falsos príncipes.
Não quero ser uma princesa
Nem rainha.
Quero ser amanda.
E amar.

Da verdade

Me perdi em suas mentiras
Agora não encontro a minha verdade.

Das palavras

Sou cheia de verdades
-E algumas omissões-
Posso dizer tudo o que sinto
mas não digo tudo o que penso.
Canto pelos cantos
Palavras que agora são minhas.
Não pode me ouvir?
Não canto tão alto assim.
Porém
Se chegar mais perto
Ouvirá o que sinto
E o que penso.
Eu não vou até aí.
Já fui longe demais.

Apenas

Te espero
Porque simplesmente não quero perder o que sinto.
Te quero
Porque honestamente desejar não é pecado.
Te desejo
Porque realmente meu corpo necessita do teu.
Mas não te necessito.
Apenas quero que me espere, me queira e me deseje.
E só.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ritmo da emoção

Meu coração perturbado
Não compreende a diferença
Entre amor e solidão.
Preenchido por um vazio habitado
Perdeu o compasso
Está no ritmo da emoção.

Do lugar

Se não o vi passar, não foi porque não quis
Somente fechei os olhos para imaginar.
E ali você passou.
Espero no mesmo lugar.

Bogotá - Colômbia: Diferenças

Se isso é coragem, eu não sei. Mas estou em um lugar desconhecido, rodeada por desconhecidos, sendo também uma desconhecida. Estou me aventurando em busca de algo novo; aos poucos descobrindo o que é. A sutil diferença é que aqui a diferença é o que vale. E dentro dessa diferença há respeito, cumplicidade e objetivos em comum. Estudantes que querem compartilhar, ser, estar, estudar e, principalmente, viver.
Não descobri ainda se os estilos que se mesclam aqui significam juventude ou atitude. Ou os dois. O que me espanta não são as meninas com "dreadlocks" ou os meninos usando bolsas a tiracolo, mas sim, como somos ignorantes quando não respeitamos essas escolhas.
Se uso saia comprida, ou sou crente ou sou "hippie". Se algum ser do sexo masculino usa bolsa (colorida, que pode também ser usada por um ser do sexo feminino) é considerado "afeminado". Não aqui, mas nas cidades pequenas, onde quem é capaz de simplesmente mostrar sua autenticidade, sua identidade também por fora, não é digno de bons adjetivos. Não digo que ser chamado de "hippie" ou crente seja ruim, porém quem não sabe o que é ser "hippie" ou não respeita outras religiões, julga que não são coisass boas. E assim por diante.
Será isso somente ignorância? Ou inveja? Ou também falta do que fazer?
Um dos maiores problemas é que muitos utilizam a identidade dos outros para se diferenciarem dos demais. O que os torna iguais. E isso faz com que cometários sejam ditos. Mas e daí? Buscamos a vida toda nos identificarmos com várias tribos até encontrarmos a nossa. Pode demorar muito tempo, ou pode ser que estejamos experimentando todas para sabermos como é. E nada justifica julgar ou condenar os outros. Isso é atitude. Mesmo que muitas vezes seja uma atitude infeliz, mas ninguém tem nada a ver com isso.
Falta do que fazer é equivalente a tempo perido. E perde tempo quem se preocupa mais com a vida dos outros do que com a sua.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Bogotá - Colômbia: Os outros também pensam, mas também não sabem

Fui a uma livraria comprar um caderno, um dicionário (esqueci meu dicionário de Inglês!), uma caneta azul e uma vermelha. Escolhi o dicionário e o caderno, o que foi fácil. Quando fui escolher as canetas, pedi um esfero azul e um esfero vermelho. A vendedora muito simpática pegou a caneta azul, mas a vermelha não. Então me perguntou: Que quieres? Ai… como se diz vermelho em español??? Apontei para um lápis vermelho, para mostrar a cor, e ela então disse: -Ah sí, rojo! Respondi: -Sí, esto. E algumas meninas que estavam do meu lado, conversando, disseram: -Un día yo voy hablar Inglés! Me intrometi na conversa: -Sí, yo hablo Inglés, pero soy Brasileña! Conversamos um pouco sobre o Brasil, samba…essas coisas que caracterizam o país(…). Comprei tudo o que quería e saí. Mas continuei pensando sobre o que havia acontecido na loja. Não por ter aprendido que vermelho é rojo (e depois soube que a cor roxa é morado aqui). Mas sim, como os colombianos e outros extrangeiros pensam que sou Inglesa, Norte Americana, Francesa. Por enquanto, ninguém disse ou pensou que sou Brasileira.
Assim como quando estava prestes a vir para cá, todos me diziam para cuidar com o tráfico de drogas, com as guerrilhas e tal, as pessoas daqui pensam que no Brasil todos são mulatos ou negros; que o país é imenso, mas só conhecem São Paulo ou Rio de Janeiro, ou porque estiveram lá ou porque ouviram falar. Quando digo que sou do Brasil, exclamam: Samba! Quando muitas vezes me pedem para sambar (ainda bem que eu sei…).
Bogotá é uma cidade enorme, com muitos pontos turísticos; o trânsito é extremamente intenso; as pessoas – a maioria delas – são muito acolhedoras e amigáveis. Quando saio com alguém para tomar um café, uma cerveja, um sorvete, nunca me deixam pagar. Mesmo que eu insista (isso é quase um insulto).
Ao dizer que sou do Sul, onde em muitas regiões a origem alemã predomina, as pessoas entendem porque sou branca, loira, de olhos claros. Mas mesmo assim dizem que não pareço brasileira.
Estou tentando explicar que o Brasil tem muitas culturas, muitas origens; que não é só samba (infelizmente trouxe poucas músicas brasileiras), Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Calypso (sim, Calypso).
Chego à conclusão óbvia que, para falar de qualquer coisa, é necessário conhecê-la, ou pelo menos ler sobre, pesquisar. Tudo o que disseram daqui – ou quase tudo – entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Sei que é uma capital, sei que há perigos, mas definitivamente é habitada por seres humanos, como em qualquer lugar do mundo.
Vou ter que fazer muita caipirinha. É o que mais me pedem. Mas vou tentar incluir doses de cultura e informação, principalmente sobre o Rio Grande do Sul.

PS.: Dentre muitos ótimos motivos de falar Inglês, um deles é que, se eu não quero falar com alguém, posso dizer: I don’t speak Spanish… E todos vão acreditar. Muitos nem sabem que no Brasil se fala Português. (Terei sorte se a pessoa não falar Inglês).

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Desencontro

Eu indo.
Enquanto você
Vindo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Do caminho

Pode ser que tudo isso passe
Que apenas nos perdemos para nos encontrar
mas temo que volte para o mesmo caminho
E eu permaneça no mesmo lugar.

Dois lados

Eu sou sonho, você é realidade.
Eu sou mentira, você é verdade.
Eu sou completa, você é metade.

Eu sou o desvio, você é o caminho.
Eu sou a água, você é o vinho.
Eu sou o pássaro, você é o ninho.

Eu posso ser, e você, se quiser.

Do gosto

Gosto de gostar de alguém
que pensa que gosta de mim.

Da dúvida

Se tudo o que passou foi verdadeiro
Quero permanecer na realidade
Mantendo os pés no chao
E esperando a outra metade.
Mas se o que vivemos foi um sonho
Dele nao quero acordar
Pois continuo nele esperando
A hora de te encontrar.

Bogotá - Colômbia: Divagaçoes

Sentada em frente à casa onde moro, aqui em Bogotá, vejo, acima dos meus olhos, montanhas. Nuvens escuras tornam o céu cinza. Onde também há beleza. Nem tudo o que é belo é claro, nem iluminado. Depende de como se vê, e de quem vê, é claro.
Na minha cabeça um turbilhao de ideias. No coraçao, sentimentos de todos os tipos, cores e tamanhos.
Nao sei mais o que é rotina. E entao percebo que a rotina faz parte da vida. Isto porque o que vivo agora é passageiro. Feliz ou infelizmente. Nao sei como será daqui para a frente. É difícil crer que estou tao longe, e principalmente aceitar que a tecnologia aproxima as pessoas, ainda que artificialmente. Apesar de que através dela percebo o quao importante sou para àqueles que me cercam, e como sao especiais a mim também.
Ouvi, dias atrás, que quando estamos longe de quem amamos, amamos mais. E a justificativa para tal afirmaçao: nao vemos os defeitos deles. Passo a acreditar nisso agora. Na minha memória, somente momentos bons. Isso nao significa que estar distante é melhor, mas sim, como somos mesquinhos muitas vezes. Reclamar, julgar, pisar na bola. Nao digo que jamais farei queixas ou reclamaçoes. Mas pensarei duas ou três vezes. E aproveitarei cada instante quando alguém estiver ao meu lado. Em qualquer lugar.
Do lado de fora, um mundo de desconhecidos. Do lado de dentro, mantenho todos que quero bem. Poderia estar rodeada de pessoas e estar só. Mas nao estou. Estou muito bem acompanhada, obrigada.

Colômbia - Bogotá: A caminho do novo

Quantas vezes eu quis ir a tantos lugares, mas sempre tive medo de arriscar, de perder o que eu não tinha e ficar aqui. Aqui onde tudo parece mais tranquilo, onde quase todos se conhecem, onde tudo parece sempre igual. Pode ser que isso seja medo fantasiado de conformismo. E ter medo faz parte, principalmente medo de errar.

Cheguei à conclusão de que a segurança é incerta, e que quando a oportunidade bate à porta, ela não errou de endereço. E foi o que aconteceu. A oportunidade surgiu na hora certa, no momento certo. Decidi, portanto, mudar a rotina, mudar o rumo, me aventurar. Estou de malas prontas para ia a Bogotá, na Colômbia, realizar intercâmbio. Estudarei um semestre em uma universidade pública, morarei em uma casa de estudantes; um mundo completamente novo e desconhecido, o qual já faz parte do meu mundo.

Depois de toda a burocracia que enfrentei, de ter que ir a São Paulo para fazer o Visto de estudante, de ter que pedir demissão, de chorar muito, de receber muito apoio das pessoas e de fazer muitas festas de despedida, muitas delas com os mesmos amigos, percebi que está valendo a pena todo este esforço. Esforço significando coragem, vontade. Se algum dia tive medo de viajar de avião, já não tenho mais. Se antes realizar um intercâmbio era um sonho distante, agora não é mais.

Tenho certeza que muitos têm o mesmo sonho e a mesma vontade de fazer tudo isso. Porém, quando envolve dinheiro, empenho, burocracia e saudade, a possibilidade de viajar pode tornar-se impossível. Mas não é.

Até agora não entendo como eu estou conseguindo. Na verdade, às vezes nem acredito. De qualquer forma eu vou, acreditando ou não.

Estou a caminho do novo, de novos sentimentos, novas sensações, novas verdades e novas descobertas.

A vida é feita de escolhas. E eu decidi viver.




Do momento



Será que tudo o que eu deixar

- sentimentos, pessoas, verdades -

Estará aqui, da mesma maneira

Quando eu voltar?